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AS DIMENSÕES DA INOVAÇÃO NA EDUCAÇÃO DO SEC XXI

20 06 2018
painel_coluna

SÉRIE INOVAÇÃO NA EDUCAÇÃO

AS DIMENSÕES DA INOVAÇÃO NA EDUCAÇÃO DO SEC XXI

A abertura do sec XXI anuncia mudanças exponenciais e disruptivas na dinâmica da sociedade que tendem a ser acompanhadas paripassu por mudanças na economia.

 

Uma nova sociedade

Vivemos hoje numa sociedade marcada pela disposição facilitada da tecnologia que proporciona ao indivíduo, por um lado, a experiência da participação global, o protagonismo, o pertencimento e a voz dos coletivos em que tramita, mas que por outro lado, alavanca o autocentrismo, enfatizando pós verdades e sofismas e esvaziando o debate amplo baseado na dialética simples do “nós contra eles”.

Uma nova economia

No que tange à economia, o tratamento cognitivo e o uso intensivo grandes massas de dados, estruturados e desestruturados, se sobrepõe a disposição de ativos tangíveis na geração de riquezas – a ênfase econômica aponta para a personalização de produtos e serviços, para a desimobilização e o compartilhamento de ativos.

… resvalando numa nova educação

E tudo isso afeta a Educação que temos, provocando a necessidade de reinventá-la para que seja reflexo da nova economia e que sirva à nova sociedade.

As dimensões da mudança

Nessa dinâmica, três dimensões despontam como norteadoras da nova educação do Sec XXI em atenção aos personagens da relação ensino-aprendizagem, repaginados pelas mudanças sociais e econômicas que estamos vivenciando. A dinâmica das mudanças, nessas três dimensões, não deve ser vista como simples e dicotômicas, mas sim no contexto de uma linha contínua que desliza de um extremo, característico do passado, a outro, representando a nossa visão do futuro. São elas:

Ensino & Aprendizagem

A transformação nessa dimensão se fundamenta no foco da relação. O Professor deixa de ser o centro das atenções, o oráculo de onde emana o conhecimento e a luz, e passa a ser um mediador da aprendizagem do aluno. O foco passa a ser o aluno e o seu aprendizado, incorporado em prol de seu desenvolvimento profissional, contexto social e propósito de vida – não mais, um aprendizado baseado na quantidade, extensão e profundidade do conteúdo ministrado. Para tanto, esse novo professor ele terá que conhecer o perfil individual, coletivo e geracional de seu aluno e estar preparado para lidar com as individualidades de sua classe. Terá ainda que reaprender a preparar suas aulas, modificando objetivos, conteúdo, forma e dinâmicas. Quem não se adaptar corre o risco de se perceber à margem do curso desse futuro que passa… e passa rápido.

Tecnologia (TIC)

A transformação aqui reside na incorporação contínua das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) no processo de Ensino & Aprendizagem. As atuais e as próximas gerações, cada vez mais, estão e estarão apropriadas da tecnologia em sua vida, desde o berço. Não há como sustentar a atenção de um aluno por 50 minutos sem o apoio de novas metodologias educacionais e de TICs – e não há como negar esse fato! Vale entretanto a ressalva de que não é suficiente a incorporação meramente lúdica de aplicativos de smartphones à aula, mas sim o uso da tecnologia como facilitadora da relação com esse novo aluno, como potencializadora de experiências e de dinâmicas interativas e ricas à aprendizagem para um aluno sempre plugado, hiperativo e sem paciência. Vale comentar sobre o avanço das EDTechs, startups inovadoras de tecnologia voltadas ao segmento da Educação, que se proliferam rapidamente e que têm o potencial de mudar de modo disruptivo o modelo existente. Aqui reside também a introdução de ODAs (Objetos de Aprendizagem) através de dispositivos tecnológicos na sala de aula, tais como ilustrações, animações, mídias digitais, IoT (Internet das Coisas), uso de realidade aumentada e virtual, inteligência artificial, etc. O céu é o limite quando se menciona o uso inovador de TIC na educação. Vai vendo…

Espaço & Tempo

A transformação aqui reside na educação “always on”, disponível a qualquer tempo e em qualquer lugar a critério da escolha individual do aluno protagonista. A sala de aula aberta, as classes mescladas, a sala de aula ao alcance do dedo indicador no samartphone. Aqui vale a pena destacar o papel fundamental do Ensino à Distância (EaD) que democratiza a educação e que liberta o oprimido e o marginalizado, levando conhecimento de qualidade, barata, a qualquer lugar e a qualquer momento. Sim, o ensino híbrido, que mescla a interação presencial e remota, sintetiza uma visão adequada desse futuro, mas, se aqui cabe uma previsão, para o bem ou para o mal, ela reside na perspectiva de que toda a atividade de ensino, a cargo de instituições públicas ou privadas, será remota e à distância em curto espaço de tempo. A escola, como espaço físico, provavelmente terá que ser repensada como um ambiente de convívio social e troca de experiências enriquecedoras.

A mudança necessária

O debate sobre a nova educação e as inovações incrementais e disruptivas que estão e vão estimular a sua mudança está aberto. Tudo é potencialmente viável, tudo está por fazer, tudo pode ser visto sob a ótica controversa da relação benefício-custo e nada ainda é verdade. Entretanto, o segmento deve se colocar em marcha. Vale aqui a máxima de que “quem não muda, dança”.

 

Por:

Alonso Mazini Soler, Doutor em Engenharia de Produção POLI/USP, Professor da Pós Graduação do Insper e da Plataforma LIT Saint Paul. Sócio da Schédio Engenharia Consultiva – alonso.soler@schedio.com.br

 

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#Educação #Inovação #Edtechs

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